Jó 26:14

Eis que estas são apenas as extremidades dos seus caminhos. Quão pequeno é o sussurro que ouvimos dele! Mas o trovão do seu poder, quem pode compreender?”

BPM

Eis que isto são só as bordas dos seus caminhos; e quão pouco é o que temos ouvido d'elle! Quem pois entenderia o trovão do seu poder?

Almeida 1911

O que Jó 26:14 significa

Tudo o que conseguimos perceber de Deus é apenas a borda mais tênue daquilo que ele é. Ouvimos um sussurro, enquanto a força plena do seu poder fica bem além do que poderíamos abarcar.

Estas palavras encerram a resposta de Jó no capítulo 26. Ele acabou de descrever o alcance da mão de Deus sobre toda a criação: estende o céu do norte sobre o vazio, pendura a terra sobre o nada, traça um horizonte sobre as águas e mantém à vista até a sepultura e o abismo. E então se interrompe. Tudo isso, diz ele, é só o começo.

Jó fala a partir da camada mais antiga da literatura sapiencial, em que alguém luta com honestidade diante de um Deus real e imenso ao mesmo tempo. A expressão muitas vezes traduzida como "as orlas" ou a "extremidade" dos seus caminhos pinta as obras de Deus como uma margem distante que mal conseguimos enxergar. O que observamos é a beirada de algo sem medida, e estamos parados no limite mais afastado dela.

O hebraico afina a imagem. A palavra por trás de "orlas" evoca as pontas, as extremidades, a barra de um manto. A palavra por trás de "sussurro" significa um vestígio, um fragmento, um farrapo de som. Coloque esse murmúrio tênue diante do "trovão do seu poder", e essa distância é justamente o ponto.

Lido por si só, o versículo sustenta uma humildade silenciosa. Convida ao espanto sem exigir certezas, e honra os limites daquilo que qualquer um pode de fato afirmar.

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