Mateus 19:5

e disse: 'Por esta causa o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois se tornarão uma só carne'?

BPM

E disse: Portanto deixará o homem pae e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois n'uma só carne.

Almeida 1911

O que Mateus 19:5 significa

Ao citar Gênesis para responder a uma pergunta sobre o divórcio, Jesus ensina que o casamento é uma união de uma só carne, estabelecida desde a criação, que nenhuma autoridade humana tem poder para desfazer.

Essa frase aparece no meio de um desafio direto. Fariseus acabam de perguntar a Jesus se um homem pode se divorciar da esposa por qualquer motivo, evocando um debate rabínico ativo sobre como interpretar a disposição mosaica sobre o divórcio. Jesus deixa esse debate de lado e cita o relato da criação, unindo a linguagem de Gênesis 1, onde Deus fez a humanidade homem e mulher, a esta linha de Gênesis 2. Ele trata os dois textos como uma única declaração de desenho. O que vem logo em seguida, no versículo seguinte, é a conclusão dele mesmo: os dois já não são mais dois, mas um só, e o que Deus uniu, nenhum ser humano deve separar. Quando os fariseus insistem e perguntam por que Moisés permitiu o divórcio, Jesus responde que foi uma concessão à dureza do coração humano. Este versículo é o padrão que ele opõe a essa concessão, um apelo ao desenho original acima da permissão legal posterior.

A frase teria soado como uma inversão da vida familiar comum para quem a ouviu pela primeira vez. Tanto no antigo Oriente Próximo quanto na prática judaica do primeiro século, a identidade, o trabalho e a herança de um filho ficavam ligados à casa do pai; o casamento costumava trazer a esposa para dentro da estrutura familiar do marido, e não o contrário, enquanto as obrigações de um filho com os pais, o sustento na velhice, a honra da família, a terra, continuavam mesmo depois de casado. Dizer que um homem deixa pai e mãe é uma afirmação sobre onde passa a residir a lealdade mais profunda, dita num mundo em que essa lealdade quase nunca mudava de lugar. O novo vínculo com a esposa é descrito como algo que desloca os laços mais profundos que uma pessoa tinha, laços que normalmente duravam a vida inteira. Numa cultura organizada em torno de redes familiares extensas e herança patrilinear, colocar o vínculo conjugal acima do dever filial era uma afirmação marcante, e é essa afirmação sobre a criação que Jesus opõe à pergunta mais estreita dos fariseus sobre os motivos válidos para o divórcio.

O verbo por trás de unir é uma forma intensiva que significa ficar colado ou cimentado, a mesma imagem usada em outros textos para algo soldado com tanta força que separá-lo rasgaria o próprio material. Descreve uma adesão, mais do que um contrato, uma fusão em vez de um acordo. O resultado é chamado de uma só carne, uma expressão que vai além da união física rumo a uma identidade compartilhada, uma nova unidade de parentesco formada a partir de duas linhagens familiares distintas. Lido assim, o versículo nomeia uma estrutura tecida na criação antes de existir qualquer lei, aliança ou instituição humana, algo mais próximo de um fato sobre como a humanidade foi feita do que um costume que varia de cultura para cultura. Esse é o peso teológico em que Jesus se apoia: o casamento é algo embutido na própria criação, e é exatamente por isso que ele pode dizer, logo em seguida, que ninguém tem autoridade para separar o que foi cimentado dessa maneira.

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