Mateus 6:34
Portanto, não andem ansiosos com o dia de amanhã, pois o amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.”
BPM
Não vos inquieteis pois pelo dia d'ámanhã, porque o dia d'ámanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
Almeida 1911
O que Mateus 6:34 significa
No fim do Sermão da Montanha, Jesus pede aos ouvintes ansiosos que parem de se partir por dentro pensando no amanhã. A cada dia basta o seu próprio fardo, e a segurança que eles tanto procuram está num Pai que já sabe do que precisam.
Mateus 6:34 é a última linha de uma longa passagem sobre preocupação dentro do Sermão da Montanha, o ensino mais conhecido de Jesus. Logo antes, ele aponta para as aves, que não guardam colheitas, e para os lírios do campo, que sem esforço se vestem melhor que os reis, e pede que as pessoas parem de se consumir com o que vão comer, beber e vestir. O versículo 34 arremata a ideia: não junte ao peso de hoje também o de amanhã.
O cenário importa. Jesus falava a gente simples de uma Galileia ocupada por Roma, muitos deles diaristas e pequenos lavradores que viviam no limite, para quem "o que vamos comer amanhã" não era figura de linguagem. Não é um sermão chamando os acomodados a relaxar. É uma palavra para quem de fato não sabia se o pão de amanhã estava garantido: ninguém foi feito para carregar hoje o medo de amanhã, porque o mesmo Deus que alimenta as aves já sabe do que eles precisam.
Dois detalhes se perdem na leitura rápida. A palavra grega para "preocupar-se," que a Almeida traduz "inquietar-se," é merimnáō, e evoca uma mente repartida, puxada para vários lados ao mesmo tempo. Ela mira essa fratura interior da ansiedade, não o trabalho de planejar com cuidado. E onde a Almeida diz "basta ao dia o seu próprio mal," o português trabalha a nosso favor: "mal" quer dizer ao mesmo tempo maldade e, aqui sobretudo, aflição ou dificuldade. O grego kakía trazia essa mesma dupla face. A frase não está pesando o pecado. Está medindo quanta dificuldade cabe num único dia.
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