Filipenses 4:8

Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama: se há alguma virtude e se há algo digno de louvor, pensem nestas coisas.

BPM

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amavel, tudo o que é de boa fama, se ha alguma virtude, e se ha algum louvor, n'isso pensae

Almeida 1911

O que Filipenses 4:8 significa

Paulo termina a carta dizendo à igreja menos o que fazer e mais em que pensar. Ele entrega uma pequena lista de coisas boas e uma ordem direta, pensar nessas coisas, como se a mente fosse um quarto que a gente arruma e depois tem de morar dentro.

O trecho está quase no fim da carta de Paulo aos filipenses, escrita da prisão a uma comunidade que ele claramente ama, naquela reta em que ele sai do incentivo e parte para a instrução seca: alegrem-se, parem de se preocupar, deixem a paz de Deus montar guarda no coração. Logo depois de mandar que não vivam ansiosos, ele dá à mente algo para fazer no lugar: seis qualidades (tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama) fechadas por duas expressões que abraçam o resto, “se há alguma virtude, se há algo digno de louvor”. O verbo que a tradução verte por “pensar nessas coisas” é quase um termo de contabilidade: somar, levar em conta, manter o registro. E essas qualidades não formavam um vocabulário religioso fechado. “Amável”, “de boa fama”, “virtude” eram moeda corrente na filosofia moral grega, o bem com que qualquer pessoa de bom senso concordaria. Paulo joga a rede larga de propósito.

O impressionante é que se trata de uma ordem sobre atenção, e não sobre ação. Ele não diz façam essas coisas; isso vem no versículo seguinte. Aqui ele diz olhem para elas, mantenham essas coisas à vista, deixem a mente morar ali. O texto supõe algo que a gente meio que sabe e vive esquecendo: que ninguém é neutro diante daquilo que fica encarando, que a mente cresce na direção daquilo que você coloca nela, e que a ansiedade quase nunca é vencida no argumento; ela vai sendo empurrada para fora por falta de espaço. Ficar demorando no que é verdadeiro e no que é belo acaba sendo mais difícil do que admirar essas coisas de passagem, porque exige escolher, de novo e de novo, para onde apontar uma mente que sozinha já puxa para o velho ressentimento e para o dente que dói.

Paulo parte do princípio de que, no fim das contas, a gente vira aquilo que mantém diante dos olhos. A lista é mais disciplina do que humor passageiro, algo para se praticar, que é exatamente a palavra a que ele recorre um versículo depois. O que fica em aberto é o que fazer com tudo o que é verdadeiro e feio ao mesmo tempo, real e nem um pouco amável: se prestar atenção no que é bom significa desviar o olhar do que é duro, ou se é algo mais perto de decidir qual das coisas verdadeiras vai ser aquela em que você de fato mora. O versículo não responde bem a isso; ele devolve a pergunta para você, junto com o tal registro.