Salmos 130:1

Um Cântico das Subidas. Das profundezas clamei a ti, SENHOR.

BPM

Das profundezas a ti clamo, ó Senhor.

Almeida 1911

O que Salmos 130:1 significa

Este salmo é o clamor de alguém que, afundado em culpa e angústia, pede para ser ouvido por Deus e descobre na esperança do perdão um motivo para continuar esperando.

O salmo começa no fundo de um poço. A imagem das "profundezas" sugere um lugar de aflição, talvez culpa, talvez desespero, de onde a única coisa possível é gritar para cima. A pessoa pede apenas uma coisa: que Deus escute.

No centro está uma pergunta desconcertante. Se Deus registrasse cada falta, ninguém ficaria de pé. A resposta vem em seguida: com Deus há perdão. Curiosamente, o texto diz que é justamente por causa desse perdão que Deus é levado a sério ("temido"). A reverência aqui nasce da clemência, e não do medo de punição.

A segunda metade muda de tom. O clamor desesperado vira espera paciente. A comparação é vívida: a alma anseia por Deus como o vigia noturno anseia pelo amanhecer, sabendo que a manhã vem, mesmo que demore. A repetição da frase reforça o cansaço e a certeza ao mesmo tempo.

No fim, a experiência pessoal se abre para todo um povo. O que valeu para um indivíduo nas profundezas é oferecido a Israel inteiro: amor leal, redenção abundante. Resta a pergunta de quem espera no escuro: como é confiar que a manhã virá antes de vê-la?

É um dos Salmos das Subidas (120 a 134), cânticos provavelmente entoados pelos peregrinos a caminho de Jerusalém. Conhecido pela tradição cristã por seu início em latim, "De profundis", tornou-se um dos salmos penitenciais, associado ao luto, ao arrependimento e à oração por perdão.