Salmos 143:1
Um Salmo de Davi. Ouve a minha oração, SENHOR. Escuta as minhas súplicas. Em tua fidelidade e justiça, socorre-me.
BPM
Ó Senhor, ouve a minha oração, inclina os ouvidos ás minhas supplicas: escuta-me segundo a tua verdade, e segundo a tua justiça,
Almeida 1911
O que Salmos 143:1 significa
É a oração de alguém perseguido e exausto, que pede socorro a Deus apoiando-se na fidelidade divina e não nos próprios méritos. Mistura desespero e confiança, terminando com o pedido de ser guiado e mantido vivo.
O salmo começa com um pedido direto de ser ouvido, mas logo introduz uma ideia incomum: quem ora reconhece que não pode se apresentar como inocente diante de Deus, pois "nenhum ser vivo é justo". O apelo se baseia na fidelidade e na justiça de Deus, e não numa lista de qualidades pessoais. Isso muda o tom de toda a oração, que se torna um pedido de graça.
Em seguida vem a descrição da angústia. O inimigo persegue, a vida foi derrubada por terra, e a pessoa se sente como quem habita na escuridão, próxima dos mortos. O espírito desfalece. Diante disso, ela faz uma escolha curiosa: volta a memória para os feitos antigos de Deus, como quem busca no passado uma razão para continuar esperando. A sede de Deus é comparada à terra seca, uma imagem de necessidade total.
A parte final concentra os pedidos. Que a resposta venha logo, que a manhã traga notícia do amor leal de Deus, que o caminho a seguir seja revelado. Há aqui um deslocamento do desespero para a direção: a pessoa quer ser livrada, mas também quer aprender a fazer a vontade de Deus e ser guiada em terreno firme.
O salmo se encerra pedindo vida ("vivifica-me") e a derrota dos inimigos, sempre amarrando o pedido ao caráter de Deus, ao seu nome e ao seu amor leal. Quem ora se define como servo, alguém que pertence a outro e por isso espera ser sustentado. Resta a pergunta de como manter a confiança quando a resposta ainda não chegou.
Atribuído tradicionalmente a Davi, este é o último dos sete chamados salmos penitenciais, agrupados pela tradição cristã por seu tom de arrependimento e súplica. Pertence ao gênero da lamentação individual, em que uma pessoa em perigo apela a Deus por socorro. A menção a inimigos que perseguem e à escuridão sugere uma situação concreta de ameaça, embora a linguagem permaneça aberta o bastante para ser reutilizada por qualquer pessoa em aflição.