Salmos 37:1
De Davi. Não se irrite por causa dos malfeitores, nem tenha inveja dos que praticam a injustiça.
BPM
Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que obram a iniquidade.
Almeida 1911
O que Salmos 37:1 significa
Este salmo responde a uma pergunta antiga e incômoda: por que pessoas injustas parecem prosperar? A resposta é que esse sucesso é passageiro, e vale a pena confiar e fazer o bem mesmo quando isso parece não compensar.
O salmo começa tratando de uma emoção específica: a irritação diante de quem age mal e ainda assim se dá bem. O texto reconhece que essa irritação é natural, e logo a desmonta com uma imagem agrícola. Os malfeitores são como a relva, que parece viçosa por um momento e depois murcha. A perspectiva proposta é a do tempo longo, em que o que hoje impressiona amanhã desaparece.
No lugar da inveja, o salmo oferece uma rotina interior feita de verbos calmos: confie, faça o bem, habite, deleite-se, entregue o caminho, descanse, espere com paciência. Há uma promessa repetida ao longo de todo o poema, a de que os humildes herdarão a terra. A imagem central é de estabilidade, raízes e permanência, contrastando com a fumaça que se dissipa.
O poema também é honesto sobre o conflito. Os ímpios sacam espadas, conspiram, espreitam o justo para feri-lo. O salmo não finge que essa ameaça não existe, e afirma que as próprias armas voltam contra quem as empunha. No meio disso aparece um detalhe humano comovente: mesmo o justo tropeça, mas não cai de vez, porque é sustentado.
Perto do fim, o salmista fala em primeira pessoa, como alguém que envelheceu e olha para trás. Ele oferece sua experiência de vida como testemunho, dizendo que viu o poderoso brilhar e depois sumir sem deixar rastro. Fica uma pergunta para o leitor: o que é realmente sólido numa vida, o que aparece rápido ou o que cresce devagar e dura?
O Salmo 37 é atribuído tradicionalmente a Davi e pertence ao gênero da literatura sapiencial, aparentado com o livro de Provérbios mais do que com os salmos de lamento ou louvor. É um poema acróstico, em que as estrofes seguem a ordem do alfabeto hebraico, recurso típico de textos pensados para ensino e memorização. Seu tema, o aparente sucesso dos injustos e a paciência dos que confiam em Deus, era um problema clássico debatido na sabedoria de Israel.