Salmos 4:7

Puseste alegria no meu coração, mais do que quando o trigo e o vinho novo deles se multiplicam.

BPM

Pozéste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram o seu trigo e o seu vinho.

Almeida 1911

O que Salmos 4:7 significa

Salmos 4:7 diz que a alegria que Deus coloca no coração de uma pessoa é maior do que a alegria da melhor colheita possível, mostrando que o verdadeiro contentamento é um presente de Deus, e não algo que as circunstâncias possam produzir ou tirar.

O Salmo 4 traz no cabeçalho a indicação de ser uma peça para o regente, com instrumentos de corda, e sua imagem final, deitar e dormir em paz, sempre o marcou como uma oração da noite, irmã do clamor da manhã no Salmo 3. O salmo começa com um pedido urgente de misericórdia e de ser ouvido, e depois se volta para repreender os que amam o que é vão e correm atrás da mentira, chamando-os a tremer, a examinar o próprio coração em silêncio e a confiar. Essa repreensão dá lugar a uma cena de inquietação coletiva no versículo 6, onde muitos perguntam quem lhes mostrará o bem e pedem que o rosto de Deus brilhe sobre eles, um eco da antiga bênção sacerdotal. É sobre esse pano de fundo de uma multidão ansiosa por sustento que cai a declaração pessoal do salmista no versículo 7, que flui direto para a calma do versículo 8, um sono tranquilo porque a segurança nunca dependeu das circunstâncias.

Para os primeiros ouvintes do salmo, o trigo e o vinho novo não eram símbolos abstratos. Eram a prova mais clara e pública de que uma família tinha sobrevivido ao ano. Uma colheita que enchia a eira e tonéis transbordando de vinho novo significavam que a chuva tinha chegado na hora certa, que a família teria o que comer durante o inverno, e que um agricultor, aos olhos de todos, tinha conseguido. O calendário de Israel era construído em torno dessa realidade: as festas de peregrinação ligadas à colheita da cevada, à do trigo e à colheita final do ano eram ocasiões de comer, beber e se alegrar diante de Deus, descritas em passagens como Deuteronômio 16 como celebrações do aumento e da fartura. Por isso, quando o salmista diz que sua alegria supera o que os outros sentem quando o trigo e o vinho novo se multiplicam, ele não está desprezando a alegria da colheita. Ele aponta para o sinal de segurança mais reconhecido que existia num mundo agrário, e insiste que aquilo colocado nele supera até isso.

A palavra por trás de 'alegria' é o hebraico simchah, o mesmo termo usado nos Salmos para a alegria da festa e do culto, e não para a euforia passageira da boa sorte. Ela nomeia a alegria dos peregrinos que sobem ao santuário, o júbilo que cercou o retorno da arca a Jerusalém, e a força prometida mais tarde a um povo que reconstrói a própria vida, para quem a alegria de Deus se torna a própria força. Igualmente revelador é a construção que abre a linha, no sentido de algo já realizado: foi Deus quem colocou essa alegria ali, não um estado de ânimo que a pessoa mesma produziu diante de boas notícias. Essa distinção sustenta todo o argumento do salmo. Os muitos buscam para fora, perguntando quem lhes mostrará o bem, medindo sua segurança por colheitas que podem falhar numa estação ruim. O salmista, ao contrário, aprendeu a receber sua alegria de uma fonte que nenhuma seca pode tocar, e é exatamente isso que lhe permite deitar e dormir sem medo.