Salmo 1
1Bem-aventurado é o homem que não anda no conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores;
2mas o seu prazer está na lei do SENHOR. Na sua lei ele medita de dia e de noite.
3Ele será como uma árvore plantada junto a correntes de águas, que dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não murcha. Tudo o que ele fizer prosperará.
4Os ímpios não são assim, mas são como a palha que o vento dispersa.
5Portanto, os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.
6Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.
O que significa o Salmo 1
O Salmo 1 contrasta dois modos de viver, o de quem se orienta pela lei de Deus e o de quem ignora esse caminho, mostrando os destinos diferentes que resultam de cada escolha.
O salmo abre descrevendo alguém que evita aos poucos se deixar levar por más companhias. A imagem é de movimento que vai parando: primeiro andar, depois deter-se, depois sentar-se. Quem é descrito aqui faz o oposto, encontrando prazer na lei do Senhor e voltando a ela com frequência, de dia e de noite.
Vem então a comparação central. A pessoa que vive assim é como uma árvore plantada perto da água, firme, que produz frutos no tempo certo e cujas folhas não secam. É uma imagem de estabilidade e vida contínua, ligada a uma fonte que não falta.
Do outro lado estão os ímpios, comparados à palha que o vento espalha. Leves, sem raiz, sem permanência. Onde a árvore fica, a palha se dispersa. O salmo conclui que esses caminhos terminam de formas opostas, e que o Senhor conhece, no sentido de acompanhar e zelar, o caminho dos justos.
O poema funciona como uma porta de entrada para todo o livro dos Salmos, apresentando uma escolha entre dois rumos. Fica em aberto o que significa, na prática de cada leitor, ter raízes perto da água.
Tradicionalmente lido como o salmo de abertura do Saltério, sem atribuição de autor no próprio texto, funcionando como uma espécie de prefácio para a coleção inteira. É classificado como um salmo sapiencial, próximo da literatura de sabedoria de Israel, que costuma contrastar o caminho do justo e o do ímpio. Sua linguagem de bênção e de meditação na lei sugere uso tanto no ensino quanto na devoção pessoal.