Salmo 130
1Um Cântico das Subidas. Das profundezas clamei a ti, SENHOR.
2Senhor, ouve a minha voz. Que os teus ouvidos estejam atentos à voz das minhas súplicas.
3Se tu, SENHOR, mantivesses um registro dos pecados, Senhor, quem poderia subsistir?
4Mas contigo há perdão, por isso és temido.
5Eu aguardo o SENHOR. Minha alma aguarda. Eu espero na sua palavra.
6Minha alma anseia pelo Senhor mais do que os sentinelas anseiam pela manhã, mais do que os sentinelas pela manhã.
7Israel, espere no SENHOR, pois com o SENHOR há amor leal. Com ele há abundante redenção.
8Ele redimirá Israel de todos os seus pecados.
O que significa o Salmo 130
Este salmo é o clamor de alguém que, afundado em culpa e angústia, pede para ser ouvido por Deus e descobre na esperança do perdão um motivo para continuar esperando.
O salmo começa no fundo de um poço. A imagem das "profundezas" sugere um lugar de aflição, talvez culpa, talvez desespero, de onde a única coisa possível é gritar para cima. A pessoa pede apenas uma coisa: que Deus escute.
No centro está uma pergunta desconcertante. Se Deus registrasse cada falta, ninguém ficaria de pé. A resposta vem em seguida: com Deus há perdão. Curiosamente, o texto diz que é justamente por causa desse perdão que Deus é levado a sério ("temido"). A reverência aqui nasce da clemência, e não do medo de punição.
A segunda metade muda de tom. O clamor desesperado vira espera paciente. A comparação é vívida: a alma anseia por Deus como o vigia noturno anseia pelo amanhecer, sabendo que a manhã vem, mesmo que demore. A repetição da frase reforça o cansaço e a certeza ao mesmo tempo.
No fim, a experiência pessoal se abre para todo um povo. O que valeu para um indivíduo nas profundezas é oferecido a Israel inteiro: amor leal, redenção abundante. Resta a pergunta de quem espera no escuro: como é confiar que a manhã virá antes de vê-la?
É um dos Salmos das Subidas (120 a 134), cânticos provavelmente entoados pelos peregrinos a caminho de Jerusalém. Conhecido pela tradição cristã por seu início em latim, "De profundis", tornou-se um dos salmos penitenciais, associado ao luto, ao arrependimento e à oração por perdão.