Salmos

Salmo 16

1Um Poema de Davi. Proteja-me, ó Deus, pois em você me refugio.

2Minha alma, você disse ao SENHOR: “Você é o meu Senhor. Além de você, não tenho bem algum.”

3Quanto aos santos que estão na terra, eles são os notáveis em quem está todo o meu prazer.

4As dores daqueles que dão presentes a outro deus serão multiplicadas. Não oferecerei suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes em meus lábios.

5O SENHOR designou a minha porção e o meu cálice. Você garante o meu quinhão.

6As linhas caíram para mim em lugares agradáveis. Sim, eu tenho uma bela herança.

7Abençoarei o SENHOR, que me deu conselho. Sim, o meu coração me instrui durante a noite.

8Tenho posto o SENHOR sempre diante de mim. Porque ele está à minha direita, não serei abalado.

9Portanto, o meu coração se alegra, e a minha língua exulta. Meu corpo também habitará em segurança.

10Pois você não deixará a minha alma no Seol, nem permitirá que o seu santo veja a corrupção.

11Você me mostrará o caminho da vida. Na sua presença há plenitude de alegria. Na sua mão direita há delícias para todo o sempre.

O que significa o Salmo 16

Este salmo é uma expressão de confiança total em Deus como a maior fonte de segurança e alegria do salmista, que vê em Deus o seu bem supremo, sua herança e a garantia de proteção mesmo diante da morte.

O salmo começa com um pedido de proteção e logo se transforma em uma declaração pessoal: o salmista afirma que, fora de Deus, nada existe de bom para ele. Essa escolha é deliberada. Ele se afasta de quem busca outros deuses e suas oferendas, e firma sua lealdade naquele que chama de Senhor.

O centro do poema usa uma linguagem ligada à divisão de terras. Falar de porção, cálice, linhas que demarcam limites e herança remete ao modo como propriedades eram repartidas em Israel. O salmista diz que sua parcela é o próprio Deus, e que essa parte lhe caiu em lugares agradáveis. Em vez de riqueza ou terra, é a relação com Deus que ele descreve como uma bela herança.

A partir daí cresce um tom de alegria e firmeza. Tendo Deus sempre diante de si, o salmista se sente inabalável, e essa segurança se estende ao corpo e à vida inteira. Ele expressa a esperança de que Deus não o abandonará no Seol, o lugar dos mortos, e de que lhe mostrará o caminho da vida.

O salmo termina apontando para a presença de Deus como o lugar onde há plenitude de alegria. Resta a pergunta de até onde vai essa confiança: ela parece olhar para além dos limites da própria morte.

A tradição atribui este salmo a Davi, classificando-o como um poema de confiança, às vezes chamado de "michtam". Trata-se de uma reflexão pessoal sobre fé e segurança, e não de um lamento ou de um pedido em meio à crise. Os versículos 10 e 11, sobre não ser deixado no Seol nem ver a corrupção, ganharam grande importância na tradição cristã, sendo citados no Novo Testamento como aplicáveis à ressurreição.