The New York Times · https://www.nytimes.com/2026/10/12/technology/universal-basic-income-silicon-valley.html
Um ano de dinheiro sem condições trouxe para perto a mãe e a irmã de Mikole Weeks. No maior estudo, o gasto com família subiu mais. Carregá-las quase a quebrou.
Se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.
1 Timóteo 5:8
Numa manhã de dezembro de 2024, Mikole Weeks recebeu um telefonema em Santa Cruz, na Califórnia. Um ano antes, ela morava numa barraca. Agora estava sóbria, criava um filho bebê e fazia faxina em casas. A ligação dizia que um programa piloto financiado pelo Google lhe mandaria US$ 1.330 por mês durante um ano, sem nenhuma condição. "Pareceu mais uma chance de dar a volta por cima", ela contou ao The New York Times, que a acompanhou ao longo daquele ano e publicou sua história em 12 de outubro.
A primeira parada foi a Target, para comprar salgadinhos de banana e fraldas mais macias que as do banco de alimentos. Depois ela ligou para a mãe, no Tennessee. "Mãe, quer conhecer seu neto?" Um mês depois, o avô dela morreu, a casa da família foi a leilão por dívida, e a mãe e a irmã mais nova atravessaram o país de carro. Em abril de 2025, os quatro moravam no apartamento de dois quartos dela, e Weeks dormia num colchão de ar no quarto do filho.
Dinheiro de graça voltou a ser promessa de campanha neste outono americano, do "dividendo" de US$ 5.000 do presidente Trump à conversa de líderes da tecnologia sobre renda básica para a era da IA. A briga gira quase toda em torno de uma pergunta: as pessoas vão desperdiçar o dinheiro ou usá-lo para sair do buraco? Um estudo da OpenResearch com 3.000 pessoas, citado pelo Times, encontrou o maior salto em outro lugar. O gasto para ajudar amigos e familiares subiu 26%, mais do que com comida (6%) ou com cuidados infantis (11%).
A frase de Paulo sobre cuidar da própria casa costuma ser jogada contra quem recebe ajuda, como se falasse de pagar as próprias contas. Só que Paulo estava dizendo a Timóteo como a igreja de Éfeso devia sustentar suas viúvas. No versículo 4, os filhos e netos de uma viúva devem aprender primeiro a cuidar da própria casa e a retribuir aos pais. Paulo queria que cada família carregasse os seus antes, para que a igreja não ficasse "sobrecarregada" e pudesse socorrer as mulheres que não tinham ninguém (versículo 16).
Com um pouco de folga, Weeks fez o que o versículo pede, e os 26% mostram que ela estava longe de ser a única.
Paulo chama isso de peso, e para Weeks foi. Carregar mais duas parentes "pesou muito" sobre ela, relatou o Times. Ela brigou com a mãe sobre como criar o filho e guardou menos do que planejava. Um mês antes do fim dos pagamentos, teve uma breve recaída e abandonou a faculdade comunitária. "Estou fazendo tudo o que posso", disse, com a cabeça no peito da mãe. A mãe respondeu: "Mãe nenhuma é perfeita. Você está fazendo o seu melhor."
Mesmo assim, Weeks guardou US$ 2.000. Hoje trabalha 32 horas por semana, ganhando US$ 24 por hora, com plano de saúde. Ela e a mãe usaram as economias para se mudar, com o filho, para uma casa maior na vizinha Watsonville. Dinheiro gasto com uma mãe e uma irmã não cabe no roteiro de nenhum dos lados, porque não é desperdício nem escada para sair do buraco. Paulo o contava como fé, e sabia que pesava. Um dia, Weeks perguntou à mãe se ela queria conhecer o neto. Agora a avó o vê todos os dias.
Sources
What a year of free money meant: Softer diapers, clean laundry, a visit to six
The New York Times (via The Daily Gazette)
Study funded by Sam Altman tests $1,000 monthly payments
AI Directory
Silicon Valley guaranteed income pilots show mixed long-term results
Memesita
Trump renews vow to give $5K to every U.S. adult if GOP wins; paying for it remains murky
The Washington Times
