Wikipedia · https://en.wikipedia.org/wiki/Choral_Synagogue_(Vilnius)
Em Vilnius, o piso de uma sinagoga destruída por nazistas e soviéticos reaparece. Os poucos judeus restantes concordam em salvá-lo e divergem sobre o que erguer ali.
Quem há entre vós que, tendo ficado, viu esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é como nada diante dos vossos olhos?
Ageu 2:3
Pela primeira vez desde que o prédio foi destruído, o piso da Grande Sinagoga de Vilna está aberto ao céu. Arqueólogos revelaram a bimá onde se lia a Torá, pisos de terrazzo em vermelho e verde, a galeria das mulheres e placas de assento que ainda trazem os nomes de quem pagou por elas. Uma diz: Gitel Klachek, esposa do falecido Yechezkel. Uma placa dos Dez Mandamentos. Um prato antes usado para gefilte fish. O prédio foi construído parcialmente abaixo do solo para não se erguer mais alto que as igrejas da cidade.
Os nazistas o incendiaram. Os soviéticos terminaram o serviço e ergueram uma escola por cima. A escola foi demolida no ano passado, e o coração do que já foi chamado de a Jerusalém do Norte voltou à luz. Os judeus da Lituânia hoje são menos de três mil, com a maior parte da comunidade assassinada. Eles concordam que o piso precisa ser preservado. Não concordam sobre o que erguer acima dele. Alguns querem uma sinagoga viva sobre o antigo solo. Outros querem um centro cultural, aberto a toda a Lituânia.
Vinte e cinco séculos atrás, um remanescente menor esteve sobre um alicerce limpo com a mesma dor. Os que se lembravam do primeiro templo choraram, porque a casa que subia parecia nada ao lado da que haviam perdido. O profeta não lhes disse para consagrar a ruína, e não lhes disse para esquecê-la. Pediu que vissem com clareza a coisa diminuída, e então que construíssem.
Uma comunidade que realmente morreu não discute sobre o próprio futuro. Ela é pranteada, ou é pavimentada por cima. A disputa em Vilnius, oração ou exposição, é o som que os vivos fazem de pé sobre o próprio chão. Um memorial os deixaria parar. A discussão é o sinal de que não pararam.
