Torcedores japoneses limparam o estádio da Copa e viralizaram, até ouvirem em casa: façam isso aqui também. Paulo leva a prova de verdade para onde ninguém aplaude.
Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens.
Colossenses 3:23
Depois que o Japão empatou com a Holanda na Copa, as câmeras flagraram algo que já virou tradição: torcedores japoneses ficando para recolher o lixo das arquibancadas com sacos azuis, deixando o estádio mais limpo do que encontraram. A internet fez o de sempre e os chamou de inspiração. Mas dessa vez, lá no Japão, surgiu outra reação que viralizou. Alguém pôs uma foto de um homem limpando o estádio ao lado de outra do mesmo tipo de homem em casa, no sofá com o celular enquanto a esposa lava a louça. A legenda, mais ou menos: que tal fazer isso em casa também.
É um golpe certeiro, e vai muito além do Japão, e muito além dos homens. Existe uma frase numa carta de Paulo, escrita a trabalhadores comuns que faziam tarefas ingratas que ninguém jamais aplaudiria. Tudo o que fizerem, ele diz, façam de todo o coração, como para o Senhor e não para os homens. Todo o peso está nessas últimas palavras. Não para quem está olhando. O trabalho que conta é o que se faz como se Deus fosse o único na sala.
Essa é a brecha que a foto escancara. É fácil ser bom onde há multidão e câmera, onde a limpeza viraliza e desconhecidos te chamam de inspiração. O difícil é a pia às onze da noite, a tarefa que ninguém nunca vai te agradecer, a bondade sem plateia. A bondade pública já vem com o prêmio embutido. A privada só tem o ato em si.
Qualquer um consegue deixar um estádio limpo. A pergunta que a louça faz é mais silenciosa: quem é você quando as câmeras se apagam e o único que está marcando os pontos é Deus.