WONDER

Em 1960, a ciência marcou o apocalipse para novembro. Boletos seguem vencendo.

Sunday, October 18, 2026

Heinz von Foerster Congress

Paul Pangaro · https://pangaro.com/Heinz-von-Foerster/index.html

Um físico com timing de mágico marcou o fim do mundo para seu 115º aniversário. Um velho pregador tinha um conselho melhor para quem vive olhando as nuvens.

Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.

Eclesiastes 11:4

Uma das previsões mais ousadas da história da ciência não se escondeu nas letras miúdas. Em 4 de novembro de 1960, a revista Science a colocou no título: "Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026", ou seja, o fim do mundo cairia na sexta-feira, 13 de novembro de 2026. Essa sexta-feira está a menos de quatro semanas, e o artigo voltou a circular depois que o historiador Alan MacEachern escreveu sobre ele no The Conversation.

O autor principal, Heinz von Foerster, era um físico que já tinha trabalhado como mágico de palco, e dá para perceber. Ele e dois alunos ajustaram 2.000 anos de estimativas de população a uma única curva, e a curva disparou para o infinito naquela sexta. "Nossos tataranetos não vão morrer de fome", escreveram. "Vão morrer espremidos." A data também calha de ser o 115º aniversário de von Foerster, e o jornal austríaco Der Standard desconfia que isso não foi coincidência.

Leitores escreveram à revista chamando a conta de "manifestamente absurda", só que a matemática se sustentou por décadas e acertou mais que a maioria das previsões dos demógrafos, até o mundo real ficar para trás da curva, por volta de 1993. Quando a Popular Science perguntou ao biólogo matemático Joel Cohen se ele estava preocupado com o dia 13 de novembro, ele respondeu: "Continuo pagando minhas contas. Continuo pagando meus impostos."

A Bíblia tem um livro inteiro para esse estado de espírito.

Eclesiastes é o caderno de um velho rei que experimentou de tudo e anotou o que ficou de pé. Perto do fim, ele se volta para os lavradores, que vivem do tempo, e faz um alerta sobre quem não para de estudar o céu. Dois versículos adiante, no versículo 6, ele diz o que fazer no lugar disso: "Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas."

Olhar a previsão do tempo não tem nada de errado. Acontece que você não sabe como amanhã vai ser, assim como não consegue traçar o caminho do vento (versículo 5). Então não saber é motivo para pôr a semente na terra hoje, porque uma previsão de desastre pode travar a mão tanto quanto uma previsão de fartura. MacEachern lembra que um bom truque de mágica termina com uma revelação que devolve tudo ao normal, e aqui está ela: a sexta-feira, 13 de novembro, vai ser uma sexta-feira. O correio vai passar, e alguém vai plantar bulbos de tulipa para uma primavera que ainda não consegue ver. O amanhã pertence a Deus, e o trabalho de hoje é a parte que ele põe nas nossas mãos.

Sources