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O voto de vinte anos de um rastafári foi raspado por guardas que sabiam ser ilegal. A Corte concordou que a lei foi violada e decidiu que ninguém deve responder por isso.
Ai dos que decretam leis injustas e dos que escrevem decretos opressores, para privarem de justiça os necessitados e roubarem o direito dos pobres do meu povo.
Isaías 10:1-2
Quase todo mundo atravessa o dia com uma suposição simples: se alguém com poder sobre nós passa dos limites, existe uma porta que dá para atravessar e corrigir a situação. Um proprietário, um chefe, um atendente atrás de um balcão. A gente confia que a regra que nos protege também é uma regra pela qual alguém pode ser responsabilizado. Esta semana, a Suprema Corte mostrou com que facilidade essa porta pode ser trancada.
Na triagem, Damon Landor entregou aos guardas uma ordem judicial que protegia o cabelo dele. Os guardas jogaram a ordem no lixo, algemaram Landor a uma cadeira e rasparam um voto de nazireu que ele mantinha havia vinte anos. Ninguém contesta que isso foi ilegal. A Corte disse exatamente isso e, mesmo assim, decidiu, por seis votos a três, que os agentes que fizeram aquilo nada devem a Landor. A lei que obrigava a prisão, raciocinaram os juízes, nunca obrigou pessoalmente aqueles homens.
O antigo "ai" de Isaías cai sobre os escribas, aqueles que deixam o necessitado sem justiça e não quebram uma única regra para isso. O profeta enxergou algo fácil de não perceber: a injustiça raramente chega sem lei. Ela chega registrada em cartório, com notas de rodapé, em plena ordem. Um direito pode permanecer nos livros enquanto todo caminho para reivindicar esse direito se fecha em silêncio.
O direito permaneceu nos livros. Os homens que violaram esse direito foram para casa. Se a justiça ainda vive na distância entre esses dois fatos, essa é a pergunta que o resto de nós herda.
