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Quando um crucifixo mata um padre, todos querem um veredito

Tuesday, October 20, 2026

Priest in Ecuador killed moments after crucifix falls from church's wall

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Um crucifixo matou o padre Patricio Sánchez numa missa ao vivo no Equador. Certa vez, perguntaram a Jesus o que dezoito mortos por uma torre tinham feito para merecer.

Cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém?

Lucas 13:4

Alguém na multidão trouxe a Jesus uma notícia recente: os homens de Pilatos tinham matado fiéis da Galileia no meio dos seus sacrifícios, como conta o versículo 1. Jesus percebeu a pergunta escondida no relato e respondeu com um segundo desastre que toda Jerusalém conhecia. Uma torre perto do tanque de Siloé tinha desabado e esmagado dezoito pessoas. Ninguém tinha dado ordem para aquilo. A torre simplesmente caiu, e Jesus podia imaginar o que se dizia sobre os mortos.

No sábado, 17 de outubro, o padre Patricio Alfredo Sánchez Molinari celebrava uma missa noturna transmitida ao vivo na igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Guayaquil, no Equador. No meio da missa, o pesado crucifixo de madeira acima do altar caiu e o atingiu na cabeça. Ele estava de frente para o seu povo e não pareceu ver nada chegando. "Padre, padre! Chamem uma ambulância!", gritaram as pessoas, pouco antes de a transmissão cair, e ele não se levantou mais. A arquidiocese pediu orações pelo descanso da sua alma. Ninguém explicou ainda por que a cruz caiu.

O vídeo se espalhou depressa, e a velha pergunta se espalhou junto: se Deus existe, por que isso acontece? Duas respostas chegam rápido. Uma, a do cético, diz que uma cruz que mata um padre prova que não há ninguém lá em cima. A outra, a do devoto, diz que Deus o levou por um motivo que não conseguimos ver. As duas transformam uma morte num veredito, e as duas dizem saber mais do que qualquer pessoa sabe.

Jesus respondeu a essa pergunta com uma palavra só, e depois parou de explicar.

No versículo 5, a palavra é "não": os dezoito não eram piores do que ninguém na cidade. É tudo o que ele diz sobre eles. Jesus não dá motivo para a torre nem plano por trás dela, e então devolve a pergunta a quem a fez: "se vocês não se arrependerem, todos igualmente perecerão". Soa duro até você ver para onde ele aponta. Os mortos já estão além de qualquer resposta. A multidão ainda tem tempo.

Logo depois, ele conta a história de uma figueira que passou três anos sem dar fruto. O dono quer cortá-la. No versículo 8, o jardineiro pede mais um ano e se oferece para cavar ao redor dela e adubar a terra ele mesmo. No versículo 9, ele não esconde o prazo: se ela não der fruto, depois disso poderá ser cortada.

Segundo o site argentino MDZ, citado pelo Economic Times, o padre Sánchez tinha pregado naquela noite sobre como usamos o nosso tempo. "Todos nós vamos morrer", ele disse, e acrescentou que as horas dadas a Deus e às pessoas que amamos valem mais do que o resto. As palavras dele apontam na mesma direção para onde Jesus apontou em Siloé.

Siloé não dá motivo para uma morte como a dele, e não deixa ninguém pendurar um veredito no homem que morreu. Ela se volta para quem ainda está aqui, e o aviso que dá a essas pessoas vem de alguém que quer que elas vivam.

Sources