The New York Times · https://www.nytimes.com/athletic/7675874/2026/10/10/mike-ditka-leadership-nfl-bears/
O Lambeau calou pelo técnico dos Bears que venceu os Packers 15 vezes e depois aplaudiu. Fora de campo, Ditka e um ídolo dos Packers cuidaram de ex-jogadores arruinados.
Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo.
Provérbios 27:17
Os torcedores do Green Bay Packers passaram um século aperfeiçoando o que pensam do Chicago Bears, e Mike Ditka lhes deu muito material. O Chicago Sun-Times o descreve como "um antagonista barulhento que, como técnico, venceu os Packers 15 vezes e perdeu 5". Por isso aconteceu uma coisa estranha no Lambeau Field, o estádio dos Packers, no domingo, 11 de outubro, dois dias depois que Ditka morreu aos 86 anos. Torcedores dos Bears foram com a camisa 89, e um deles, Ryan Tousley, se espremeu num colete de tricô que tinha comprado vinte anos antes. "Está bem claro que não serve", disse ele, "mas eu precisava prestar homenagem a ele." O locutor pediu um minuto de silêncio, o estádio respeitou, e então Green Bay começou a aplaudir.
Provérbios, um livro de ditados simples sobre como as pessoas convivem, tem para isso aquela velha frase sobre o ferro. Ninguém fica afiado se esfregando num travesseiro. O Green Bay era um time mais duro por ter Ditka do outro lado do campo, e a nota oficial dos Packers o chamou de "um adversário formidável". Só que a palavra que o provérbio usa para o homem do outro lado é amigo.
Com Ditka, o rival virou amigo de verdade.
Em 2007, Jerry Kramer, um ídolo dos Packers, começou a arrecadar dinheiro para ex-jogadores que tinham ficado sem nada, e Ditka trabalhou ao lado dele. A partir de 2008, Ditka presidiu o Gridiron Greats Assistance Fund, que paga moradia e tratamento médico. Assim, um Packer e um Bear passaram a velhice cuidando de homens que o jogo tinha desgastado até o fim. Um deles foi Mike Webster, pivô do Pittsburgh Steelers com quatro anéis de Super Bowl, que em certas épocas morou na própria caminhonete. Ele morreu em 2002, aos 50 anos, o primeiro ex-jogador diagnosticado com encefalopatia traumática crônica (ETC), antes de o fundo existir, então a ajuda foi para a família dele. Depois da morte de Ditka, o filho de Webster, Garrett, escreveu: "O treinador e a @Gridiron_Greats ajudaram a pôr minha irmã numa clínica de reabilitação, livraram nossa família do despejo e nos deram esperança e amigos quando não tínhamos nenhum." E depois: "Espero que ele esteja tomando uma cerveja com o meu pai lá em cima."
Nada disso faz de Ditka um santo. Ele foi condenado por dirigir embriagado, manteve uma longa briga com o próprio coordenador defensivo, Buddy Ryan, e deu um touchdown do Super Bowl a William Perry em vez de Walter Payton. "Eu sei que ele viveu para se arrepender disso", disse o locutor esportivo Chris Berman. Ditka, que foi coroinha, resumiu uma vez a sua regra: "Você tem que assumir o que faz."
O Lambeau aplaudiu o rival que deixou seu time mais difícil de vencer, e Kramer tinha encontrado nesse mesmo rival um parceiro. Esse é o presente de um bom rival: enquanto duram os jogos, ele faz você melhorar, e quando eles acabam, pode ser o amigo que ajuda você a carregar os homens que o jogo deixou para trás.
Sources
Bears-Packers game features tributes to Mike Ditka on the field and in the stands
AP via WTTW
Mike Ditka tributes pour in from around the NFL, including fans dressing up in Green Bay
Fox News / OutKick
Mike Ditka, the quintessential Chicago Bear, dies at 86
AP News
Green Bay Packers earn widespread praise for classy tribute to legendary Chicago Bears coach Mike Ditka
TMSPN
'Saved our family from eviction': Mike Webster's son reveals how Mike Ditka stepped in
Operation Sports
Mike Ditka dies at 86: A life of football, fire and Catholic faith
National Catholic Reporter
Chris Berman and Christopher Russo pay tribute to Mike Ditka
The Sporting Page
