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Green Bay aplaudiu Mike Ditka, que derrotou os Packers quinze vezes

Tuesday, October 13, 2026

Former Chicago Bears coach Mike Ditka stood out for one simple leadership  ideal - The Athletic

The New York Times · https://www.nytimes.com/athletic/7675874/2026/10/10/mike-ditka-leadership-nfl-bears/

O Lambeau calou pelo técnico dos Bears que venceu os Packers 15 vezes e depois aplaudiu. Fora de campo, Ditka e um ídolo dos Packers cuidaram de ex-jogadores arruinados.

Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo.

Provérbios 27:17

Os torcedores do Green Bay Packers passaram um século aperfeiçoando o que pensam do Chicago Bears, e Mike Ditka lhes deu muito material. O Chicago Sun-Times o descreve como "um antagonista barulhento que, como técnico, venceu os Packers 15 vezes e perdeu 5". Por isso aconteceu uma coisa estranha no Lambeau Field, o estádio dos Packers, no domingo, 11 de outubro, dois dias depois que Ditka morreu aos 86 anos. Torcedores dos Bears foram com a camisa 89, e um deles, Ryan Tousley, se espremeu num colete de tricô que tinha comprado vinte anos antes. "Está bem claro que não serve", disse ele, "mas eu precisava prestar homenagem a ele." O locutor pediu um minuto de silêncio, o estádio respeitou, e então Green Bay começou a aplaudir.

Provérbios, um livro de ditados simples sobre como as pessoas convivem, tem para isso aquela velha frase sobre o ferro. Ninguém fica afiado se esfregando num travesseiro. O Green Bay era um time mais duro por ter Ditka do outro lado do campo, e a nota oficial dos Packers o chamou de "um adversário formidável". Só que a palavra que o provérbio usa para o homem do outro lado é amigo.

Com Ditka, o rival virou amigo de verdade.

Em 2007, Jerry Kramer, um ídolo dos Packers, começou a arrecadar dinheiro para ex-jogadores que tinham ficado sem nada, e Ditka trabalhou ao lado dele. A partir de 2008, Ditka presidiu o Gridiron Greats Assistance Fund, que paga moradia e tratamento médico. Assim, um Packer e um Bear passaram a velhice cuidando de homens que o jogo tinha desgastado até o fim. Um deles foi Mike Webster, pivô do Pittsburgh Steelers com quatro anéis de Super Bowl, que em certas épocas morou na própria caminhonete. Ele morreu em 2002, aos 50 anos, o primeiro ex-jogador diagnosticado com encefalopatia traumática crônica (ETC), antes de o fundo existir, então a ajuda foi para a família dele. Depois da morte de Ditka, o filho de Webster, Garrett, escreveu: "O treinador e a @Gridiron_Greats ajudaram a pôr minha irmã numa clínica de reabilitação, livraram nossa família do despejo e nos deram esperança e amigos quando não tínhamos nenhum." E depois: "Espero que ele esteja tomando uma cerveja com o meu pai lá em cima."

Nada disso faz de Ditka um santo. Ele foi condenado por dirigir embriagado, manteve uma longa briga com o próprio coordenador defensivo, Buddy Ryan, e deu um touchdown do Super Bowl a William Perry em vez de Walter Payton. "Eu sei que ele viveu para se arrepender disso", disse o locutor esportivo Chris Berman. Ditka, que foi coroinha, resumiu uma vez a sua regra: "Você tem que assumir o que faz."

O Lambeau aplaudiu o rival que deixou seu time mais difícil de vencer, e Kramer tinha encontrado nesse mesmo rival um parceiro. Esse é o presente de um bom rival: enquanto duram os jogos, ele faz você melhorar, e quando eles acabam, pode ser o amigo que ajuda você a carregar os homens que o jogo deixou para trás.

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