Há mais de um milhão de anos, uma criatura que ainda não sabia acender o fogo levou a chama trinta metros caverna adentro e a manteve acesa.
Que é o homem, que dele te lembres? … de glória e de honra o coroaste.
Salmo 8:4-5
Pesquisadores que examinaram ossos queimados no fundo da Caverna Wonderwerk, na África do Sul, encontraram fogo onde nenhum incêndio natural chegaria, a uns trinta metros dentro da escuridão, mantido vivo em algum momento entre 1,07 e 1,79 milhão de anos atrás. As criaturas que cuidavam daquele fogo provavelmente ainda não sabiam acender uma chama. Elas acharam o fogo onde ele caiu, protegeram a brasa do vento e a levaram para dentro do escuro.
Pare um instante diante dessa cena. Antes da linguagem como a conhecemos, antes de nossa espécie ter um nome, algo próximo de nós já buscava a luz e se recusava a deixá-la morrer. O desejo veio primeiro. Saber fazer fogo veio muito depois.
Esse é o terreno da pergunta mais antiga do salmo, aquela que olha para um céu imenso e se pergunta quanto pode valer uma criatura tão pequena e tão breve. A ciência não responde isso. Ela apenas aprofunda o espanto de sermos notados.
O que éramos nós, mesmo então, para já sermos amparados?