2 Timóteo 2:9
pelo qual sofro aflições até o ponto de ser acorrentado como um criminoso. Mas a palavra de Deus não está acorrentada.
BPM
Pelo que soffro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa.
Almeida 1911
O que 2 Timóteo 2:9 significa
De uma cela em Roma e tratado como um malfeitor, Paulo reconhece que está preso; na mesma frase declara que a palavra que anuncia não está: a mensagem de Deus continua correndo livre mesmo quando acorrentam quem a prega.
A segunda carta a Timóteo tem jeito de despedida, e a tradição a guarda assim. Paulo escreve de uma cela em Roma, sabendo que a execução está perto, para Timóteo, o companheiro mais novo em cujas mãos ele vai deixando o trabalho. Nos versículos ao redor, ele pede a Timóteo que resista como um soldado, um atleta, um lavrador, e que não deixe de lembrar de Cristo ressuscitado. Este versículo é o próprio exemplo de Paulo: ele sofre “a ponto de ser preso”, tratado como um criminoso qualquer, e mesmo assim a frase vira de repente com um “mas” desafiador.
Estar acorrentado em Roma como “malfeitor” era ser jogado entre o que a sociedade tinha de mais baixo. A palavra que Paulo escolhe é a mesma que os Evangelhos dão aos dois homens crucificados ao lado de Jesus. Ele não ameniza a própria situação: ele se coloca no meio dos criminosos e dos condenados. Naquele mundo, um preso já era dado como acabado, e a causa dele caía em descrédito junto. Roma tinha todos os motivos para acreditar que acorrentar o mensageiro bastava para calar a mensagem.
A força da frase está numa só imagem repetida. Paulo diz que está preso e, logo em seguida, diz que a palavra de Deus não está presa: a mesma coisa afirmada e negada num único fôlego. O contraste é tudo. Dá para acorrentar o pregador à parede, mas aquilo que ele prega se solta da corrente e segue viagem. Um homem pode ser trancado; uma palavra, uma vez solta no mundo, ninguém mais consegue prender.