Isaías 10:1
Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que redigem decretos opressores,
BPM
Ai dos que ordenam ordenanças injustas, e dos que prescrevem trabalho aos escrivães.
Almeida 1911
O que Isaías 10:1 significa
O "ai" de Isaías recai sobre os legisladores e escribas que redigem leis injustas, usando o próprio sistema legal para tirar do pobre, da viúva e do órfão a justiça que deveria protegê-los.
Isaías 10:1-2 traz o último de uma série de oráculos de "ai", aqueles lamentos proféticos que dão nome a um mal e avisam que vem uma hora de prestar contas. Este mira no topo. Os alvos estão no centro do poder: as autoridades que "decretam decretos injustos" e os escribas que os redigem. Na Judá do século VIII a.C., eram os homens que controlavam como a justiça era administrada, e Isaías os acusa de inclinar todo o sistema a favor dos poderosos.
O que deixa a acusação tão afiada é que aqui nada é tecnicamente ilegal. A injustiça é redigida, assinada e aplicada pelos canais corretos. Esses decretos roubam do pobre os seus direitos e transformam viúvas e órfãos em presa justamente por terem força de lei. Isaías dá nome a quem não tem padrinho para defender a sua causa, o pobre, a viúva, o órfão, e mostra com que facilidade um sistema legal pode ser ajustado para deixá-los sem nenhum recurso.
Os versículos seguintes apertam a pergunta que o profeta de fato faz: o que esses legisladores farão no dia do acerto de contas, quando o poder que escreveram nas leis já não os proteger? A passagem segura duas verdades ao mesmo tempo. A justiça humana pode ser levada a falhar pelas próprias regras que deveriam sustentá-la, e existe um tribunal mais alto que não se impressiona com papelada. Para Isaías, uma lei que abandona o vulnerável nunca é um ato neutro de governo. É algo que Deus vê, e responde.