Isaías 64:8
Mas agora, SENHOR, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro, e tu és o nosso oleiro. Todos nós somos obra da tua mão.
BPM
Porém agora, ó Senhor, tu és nosso Pae: nós o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos
Almeida 1911
O que Isaías 64:8 significa
Numa oração feita sobre as ruínas de Jerusalém, um povo devastado para de defender a própria causa e apela a uma relação: tu és nosso Pai, nós somos o barro e tu, o oleiro. Aconteça o que acontecer, ainda somos obra das tuas mãos.
Isaías 64:8 faz parte de uma oração longa e crua de lamento. Os capítulos ao redor imploram que Deus rasgue os céus e desça, e depois confessam que o povo inteiro se tornou impuro, suas melhores obras como trapo sujo. Justamente quando faltam argumentos à oração, ela muda de tom. Para de enumerar pecados e recorre ao vínculo mais antigo de todos: “Mas agora, Senhor, tu és nosso Pai.”
O pano de fundo é a devastação. Jerusalém está em ruínas, o templo queimado, a terra vazia; os versículos seguintes descrevem os lugares santos transformados em deserto. Para um povo que tinha todos os motivos para achar que Deus já havia desistido dele, a imagem do barro e do oleiro não fala de destino. É um argumento a favor da misericórdia. Um oleiro não joga fora aquilo que as próprias mãos moldaram. O apelo é simples: ainda somos teus, não descarte a tua própria obra.
A palavra hebraica para “oleiro,” yotser, vem do verbo yatsar, dar forma ou moldar, o mesmo usado em Gênesis quando Deus forma o primeiro ser humano do pó da terra. A oração recua para além do exílio e do pecado, até a própria criação. E “obra das tuas mãos” é linguagem de artesão: não algo saído de uma fábrica, mas feito devagar, com cuidado, à mão. O versículo não diz que somos fortes. Diz que fomos feitos, e que quem nos fez ainda não nos solta.