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Aos treze, deram a Skinner hormônios em vez de escuta. Aos vinte e três, ele encara um corpo que não escolheu e pergunta de quem foi primeiro.
Tu és nosso Pai; nós, o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós somos obra das tuas mãos.
Isaías 64:8
No dia 1º de julho, um rapaz de 23 anos chamado Jonni Skinner sentou-se diante de um microfone e fez uma confissão. Aos treze, entregaram-lhe uma promessa: a química certa podia consertá-lo. Um cérebro de menina, disseram, num corpo de menino. Então frearam a puberdade dele e reescreveram seus hormônios. Quase uma década depois, ele olha para um corpo que ainda carrega as correções.
A promessa era controle. O controle é a mentira mais antiga.
Somos a geração que se fabrica sozinha: otimizamos a manhã, cuidamos do rosto, hackeamos o próprio sono e juramos que só agora, enfim, estamos nos tornando nosso "eu verdadeiro" — como se o eu fosse uma startup e o corpo um rascunho entregue por engano. Skinner era um menino gay e autista, numa cidade de um único semáforo e muito desprezo. Ele precisava que alguém o escutasse. Deram-lhe uma receita.
Mas como se devolve a alguém a década que você passou tentando melhorá-lo?
Muito antes de qualquer clínica, o profeta disse o óbvio que insistimos em desaprender: somos o barro, e as mãos que nos deram forma nunca foram nossas para contratar. Um vaso não se refaz sozinho no torno. Não conquistado. Não escolhido. Simplesmente dado.
Não nos fizemos a nós mesmos. Esse é o escândalo, e a misericórdia.
Porque, se o corpo é obra de outra mão, ele já era amado antes de virar um problema a resolver. Antes da vergonha. Antes do diagnóstico. Antes dos influenciadores e do endocrinologista e de todo o estrago bem-intencionado. Já amparado. Já, insiste o profeta, obra da mão de um pai.
Skinner não pede mais para ser consertado. Ele pede para ser ouvido.
A graça nunca foi uma cura. É uma mão que fica.
