Versículo do Dia
Domingo, 21 de junho de 2026
Eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços… e me inclinei para dar-lhes de comer.
Oseias 11:3-4
O que este versículo significa
Falando como um pai de coração partido, Deus se lembra de quando ensinou Israel a andar, curou o povo e se abaixou para alimentá-lo com a própria mão. O amor que criou esse povo foi paciente e terno, mesmo que o filho nunca tenha reconhecido as mãos que o seguravam.
Estes versículos vêm de um capítulo em que Deus fala de Israel como um pai magoado fala de um filho já adulto. Ele começa lembrando como Deus chamou o filho para fora do Egito, e estas linhas preenchem de ternura aqueles primeiros anos: uma mão que ensina a criança a andar, que a ampara, que cuida dela antes mesmo de ela perceber que estava machucada, que leva a comida até a boca dela. Efraim, a principal tribo do norte, representa aqui a nação inteira, e a dor da passagem é que a criança cresceu e esqueceu.
Oséias falou a um reino do norte próspero e idólatra no século VIII a.C., nas décadas anteriores a Assíria varrer tudo. Os povos antigos costumavam imaginar seus deuses como distantes e poderosos, a quem se devia tributo e temor. Aqui, porém, a imagem é de uma intimidade surpreendente: um pai que se abaixa até a altura de uma criança pequena e a conduz com aquilo que o texto chama de cordas de bondade humana, o oposto das correias com que se tange o gado.
Existe um detalhe no hebraico que a tradução suaviza. A frase sobre tirar o jugo das mandíbulas está a uma pequena troca de vogais de erguer uma criança até o rosto, de modo que afrouxar a correia do animal cansado e levantar um filho para alimentá-lo se tornam o mesmo gesto. As "cordas" e os "laços" do versículo anterior são, literalmente, cordas de homem e laços de amor, os que a gente usa com quem ama.
Hoje estes versículos sustentam um dos retratos mais ternos de Deus em toda a Escritura: menos um governante distante que faz as contas, e mais um pai no chão ao lado do filho, paciente com o trabalho lento de ensinar alguém a andar e pronto para dar de comer. Eles falam a qualquer um que já amou alguém que ainda não sabia retribuir, e a qualquer um que foi carregado muito antes de perceber.
