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Um ano recorde de doações, sustentado por quem sente o aperto

Tuesday, July 7, 2026

Giving USA Record High Misses the Digital Giving Revolution

Chronicle of Philanthropy · https://www.philanthropy.com/solutions/giving-usa-reports-a-record-high-but-heres-what-it-misses/

As famílias doaram como nunca no ano em que menos podiam, enquanto um bilionário dizia que generosidade de verdade custa caro.

Como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade.

2 Coríntios 8:2

No dia 24 de junho, a Giving USA divulgou que em 2025 os americanos doaram um valor recorde de US$ 617 bilhões a instituições de caridade, passando dos US$ 600 bilhões pela primeira vez. Mas leia as letras miúdas e a manchete muda. As doações de pessoas físicas, que ainda são quase dois terços do total, cresceram só 1,4 por cento depois de descontar a inflação, num ano em que o preço do mercado e a conta de luz não pararam de subir.

Então as famílias comuns não doaram mais porque tinham mais. Doaram contra a maré.

O recorde foi puxado lá de cima: um salto nas heranças, um único doador assinando cheques de bilhões. Essa generosidade é real. Mas ela vem da sobra, e a sobra é a parte fácil.

Mais ou menos na mesma semana, Elon Musk descreveu a generosidade como algo "muito difícil", separando quem doa para comprar "a aparência de bondade" de quem doa pela "realidade da bondade". A distinção é afiada e vale guardar. Só que ela aponta para um lado inesperado.

Quando Paulo falou de uma pobreza profunda que transborda em generosidade, escrevia sobre as igrejas da Macedônia, que deram além do que podiam e pediram para dar ainda mais. Ele não elogia o tamanho da oferta. Elogia o quanto ela custou. Por essa medida, a aparência de bondade é o que a fartura consegue bancar, e a realidade aparece na casa que doa enquanto faz as contas para pagar o aluguel.

O número que virou notícia veio justamente de quem menos podia abrir mão dele.

Generosidade, no fim, não se mede lá do topo da pilha. Mede-se pelo que fica para trás depois que a gente dá.

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