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Seis anos depois de plantar um vinhedo que nenhum contador aprovaria, uma produtora sul-africana recebe as primeiras críticas. Ela nunca plantou pelo vinho.
E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.
Gálatas 6:9
Quando o mundo parou, em 2020, Natasha Jacka tinha vinte e sete anos e estudava enologia perto da Cidade do Cabo, até a pandemia encolher a vida dela para os limites do quintal dos pais. Parada na janela, Natasha imaginou videiras ali. Então plantou as videiras, mais de mil, uma a uma, com as próprias mãos, cada muda escorada de pé em dois pequenos canteiros do terreno. Seis anos depois, o vinho daquele quintal recebeu as primeiras críticas sérias, e o crítico que as escreveu chamou o projeto inteiro de um triunfo da esperança sobre o bom senso.
Não era só gentileza. Um vinhedo tão pequeno não dá lucro, e fazer um bom vinho é tarefa ingrata. Por qualquer cálculo sensato, era uma tolice tentar. Ninguém sabia disso melhor do que a própria Natasha. Eu não estava olhando aquilo como se fosse render uma fortuna, ela disse. Isso é um trabalho de amor.
Há uma frase numa das cartas de Paulo sobre não nos cansarmos de fazer o bem, porque a colheita vem no tempo certo, se não desistirmos. É fácil ouvir aquilo como promessa de que o esforço se paga. As linhas ao redor são mais firmes. O bem vale a pena por si mesmo, e o que ele rende segue um relógio que não é o nosso. Aqueles quatro anos calados de cuidado não foram o preço que Natasha pagou pelo vinho. Foram o próprio amor, levando o tempo dele.
Quase tudo que vale a pena não se defende numa planilha. Um casamento, um ofício, um filho criado, uma fé guardada. A gente planta porque ama, numa estação que não escolheu, e se vem colheita ela chega mais como graça do que como salário. As críticas estão boas agora. Nunca foram o motivo.
