Em um estúdio de Nova York, estranhos enlutados suam juntos e depois dizem quem perderam. É fácil, diz uma delas, se sentir só numa sala cheia.
Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.
Romanos 12:15
As aulas começam com um treino. Barra, spin, suor. Depois todo mundo se senta e diz o nome da pessoa que morreu. Uma mulher de 29 anos criou as sessões depois do suicídio do pai, quando a terapia de conversa deixou o luto preso em algum lugar que as palavras não alcançavam. Treze estranhos vieram uma vez. Hoje há fila de espera.
A solidão que elas nomeiam é exata: sozinha numa sala cheia de gente. O luto isola você à vista de todos, cercado por pessoas que não sabem como chegar perto.
Paulo entregou à sua comunidade uma instrução curta sobre isso, fácil de ignorar porque parece óbvia. A velha frase sobre chorar com os que choram. O surpreendente é a quem ela manda. Ao enlutado, nada se pede. A todo o resto se ordena descer até a tristeza e ficar ali. Quem perdeu alguém já chora. A ordem é para a sala.
O corpo sente o luto, e ele nunca foi feito para sofrer sozinho. Talvez você já saiba em qual sala precisa entrar.