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Amy-Jill Levine passou décadas ensinando cristãos a ler o Novo Testamento sem caluniar judeus. Estudiosos católicos acabaram de elegê-la. Os ataques vieram rápido.
Tu, sendo oliveira brava, foste enxertado entre eles… não te glories contra os ramos… não sustentas tu a raiz, mas a raiz, a ti.
Romanos 11:17-18
Em 28 de agosto, a Associated Press noticiou que a Associação Bíblica Católica da América havia eleito sua primeira presidente judia. O nome dela é Amy-Jill Levine. Ela é estudiosa do Novo Testamento, professora emérita da Universidade Vanderbilt, e há quatro décadas ensina cristãos a ler a própria Bíblia com mais cuidado e menos dano.
A associação é uma sociedade de estudiosos da Bíblia, a maioria católicos. Seus líderes foram diretos sobre o motivo da escolha: a competência acadêmica dela e seu longo trabalho construindo confiança entre católicos e judeus.
Então vieram os ataques.
Em perfis de redes sociais com dezenas de milhares de seguidores, estranhos a chamaram de "anticristã". Disseram que uma judia tentava "sequestrar o catolicismo". Recorreram à frase mais antiga de todas: a de que os judeus rejeitaram Jesus, e por isso esta não teria lugar perto de um livro cristão. Alguns fizeram uma pergunta legítima: se um não católico deveria liderar um grupo católico. Essa pergunta não é ódio. Boa parte do que a cercava era.
Aqui está o que torna tudo estranho. Aquilo de que a acusaram é exatamente o que o trabalho da vida dela vem desfazendo.
Levine estuda um hábito em que os cristãos caíram cedo e nunca abandonaram por completo. Para fazer Jesus brilhar, mestres pintaram o próprio povo dele de escuro. Os fariseus viraram hipócritas. A lei judaica virou uma jaula. A multidão que gritou em seu julgamento virou todo judeu, em todo lugar, para sempre. O judaísmo foi desenhado como frio e morto, para que a graça parecesse ter chegado de outro lugar.
Nada disso é boa história. O resumo que ela faz do problema cabe numa frase simples: não precisamos fazer o judaísmo parecer ruim para fazer Jesus parecer bom. Leia os Evangelhos devagar e verá Jesus guardando a lei, discutindo dentro dela como os rabinos faziam, e muitas vezes tornando-a mais pesada, em vez de mais leve.
Paulo percebeu essa tentação nos primeiros anos da igreja. Ele imaginou os recém-chegados como um ramo bravo cortado de uma árvore à beira da estrada e enxertado numa oliveira cultivada. Depois se virou e falou direto com esse ramo. Não despreze os ramos mais antigos, disse ele. O ramo nunca carregou a raiz. A raiz é que carregou o ramo.
As pessoas que atacam Levine são o ramo, desprezando.
E a árvore embaixo delas é judia até a base. Todo autor do Novo Testamento era judeu. Seus primeiros leitores eram judeus. O próprio Jesus aprendeu a ler esse livro numa sinagoga, num sábado, como qualquer menino judeu. Em Lucas 4, versículo 16: "Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler."
Então uma professora judia conduzindo cristãos mais fundo nesse livro não é uma invasão da fé. É algo mais próximo do formato da fé em sua origem. As vozes mais altas na internet acreditam que estão defendendo a raiz. Confundiram a si mesmas com ela.
Sources
A Jewish scholar chosen to lead the Catholic Biblical Association is hit by antisemitic backlash
The Washington Times (AP)
A Jewish scholar chosen to lead the Catholic Biblical Association is hit by antisemitic backlash
Religion News Service
Amy-Jill Levine elected first Jewish president of Catholic Biblical Association
National Catholic Reporter
