NPR · https://www.npr.org/2026/08/25/nx-s1-5943168/cte-nfl-concussions-deaths-study
Pelo menos um em cada quatro jogadores da NFL que morreram tinham a doença cerebral CTE. O pior vem anos depois, muito depois de a torcida ir embora.
Tu me teceste no seio de minha mãe… De modo assombroso e maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis.
Salmo 139:13-14
Em 25 de agosto, pesquisadores liderados pela Universidade de Boston relataram que pelo menos um em cada quatro jogadores da NFL que morreram entre 2016 e 2021 tinham encefalopatia traumática crônica, a doença cerebral degenerativa conhecida como CTE. O número é um piso. Nem todos os cérebros foram examinados, e a maioria dos que foram veio de famílias que já suspeitavam do que iriam encontrar.
A descoberta chegou às vésperas de uma nova temporada, quando os estádios começam a se encher de novo.
Repare no que o estudo é feito. Um homem na casa dos cinquenta que já não consegue reter uma lembrança. Uma esposa descrevendo a um pesquisador o lento desaparecimento da pessoa com quem se casou. Uma família decidindo, depois do funeral, doar um cérebro para que alguém possa enfim dar nome ao que o levou. O jogo é assistido por milhões ao mesmo tempo. O desmoronamento acontece sozinho, anos depois da última jogada, numa casa onde ninguém está gritando de alegria.
O salmista olha para o próprio corpo e fica maravilhado. Tecido no escuro, formado de modo assombroso e maravilhoso, uma obra diante da qual o próprio Criador se admira. A CTE é essa delicadeza vindo abaixo, fio por fio. A mente que sabia o próprio nome o perde. O que foi tecido é desfeito, e por boa parte disso o homem está desperto.
Há uma tentação de chamar isso de sacrifício, de dizer que esses homens se entregaram por um jogo que amavam. O texto não deixa a perda ser enfeitada tão depressa. Em Marcos 8:36, Jesus pergunta que proveito há em ganhar o mundo inteiro e perder a própria vida.
A pergunta supõe um único homem fazendo a troca, ganhando e perdendo no mesmo instante. Um estádio divide a conta em dois. A multidão ganha o mundo. Os jogadores perdem a vida.
O estádio se esvazia em uma hora. O que custou é pago por anos, em cômodos que as câmeras nunca alcançam.
