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Rei Charles evitou dizer "nós" em Nassau

Saturday, October 31, 2026

King Charles III Dances With Locals at a Junkanoo Parade in the Bahamas—See  a Video

Harper's BAZAAR · https://www.harpersbazaar.com/celebrity/latest/a74283495/king-charles-dances-junkanoo-parade-bahamas-visit-photos-video/

Em Nassau, o rei Charles citou o "grande sofrimento" da escravidão e parou aí. Ezequiel nega a culpa herdada; Levítico pede que se confessem os pecados dos pais.

Se eles confessarem a sua iniquidade e a iniquidade dos seus pais, na transgressão que cometeram contra mim

Levítico 26:40

A maioria de nós tem duas crenças sobre a culpa: ela é pessoal e, por isso, só quem errou pode confessá-la. Você pode lamentar que seu bisavô tenha feito algo terrível, mas confessar isso parece estranho, já que não foi você quem fez. Em 27 de outubro, o rei Charles III expôs as duas crenças em público.

Menos de duas horas depois de pousar nas Bahamas, ele falou a um encontro de jovens no Clifford Park, em Nassau. Ele tem 77 anos, faz tratamento contra um câncer e, em 1973, ainda como príncipe de Gales, esteve naquele mesmo campo para ver o país se tornar independente. "É justo que reconheçamos o grande sofrimento e as injustiças do passado", disse. Por orientação de seus ministros, não chegou a pedir desculpas, já que o governo não pagará reparações "por atos históricos que não violavam as leis internacionais da época". Ali perto, cerca de uma dúzia de manifestantes gritava "paguem o que nos devem".

A Bíblia mantém a primeira dessas crenças. Ezequiel, profeta que escrevia aos exilados na Babilônia que culpavam os pais pela própria ruína, disse isso sem rodeios:

Ezequiel 18:20A alma que pecar, essa morrerá. O filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo estará sobre ele, e a impiedade do ímpio estará sobre ele.

Levítico, a lei que Israel recebeu depois de sair do Egito, abandona a segunda. Suas advertências terminam com o povo espalhado entre os inimigos, e o caminho de volta começa com uma confissão que inclui os pecados dos pais junto com os próprios. Gerações depois, Neemias, um servo judeu na corte persa, soube que as muralhas de Jerusalém continuavam em ruínas e orou exatamente assim:

Neemias 1:6que os teus ouvidos estejam atentos agora e os teus olhos abertos, para que ouças a oração do teu servo, que faço perante ti neste momento, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos, enquanto confesso os pecados dos filhos de Israel, que pecamos contra ti. Sim, eu e a casa de meu pai pecamos.

Neemias não tinha nascido quando a cidade caiu e, pela regra de Ezequiel, nada daquela culpa era dele. Mesmo assim ele a confessou, como filho da casa que a cometeu, e depois foi reconstruir as muralhas. Pela medida dele, a longa e custosa campanha britânica para acabar com o tráfico é o tipo de reparação que o texto honra, o que complica a vida de quem a despreza. Só que a reconstrução veio depois da confissão e nunca tomou o lugar dela, o que complica a vida de quem acha que a abolição quitou a conta.

A culpa fica com quem pecou, enquanto a confissão e a reparação passam para quem herda a casa.

Essa é a distância entre reconhecer e confessar. Uma testemunha reconhece o sofrimento de fora, e a confissão diz "nós" de dentro. Quanto a reparação deve custar hoje é assunto para os governos acertarem, e o texto não assina o cheque. Charles não pode dizer a palavra por conta própria, já que fala em nome de um governo. A pergunta, porém, não para nele, porque quase todo mundo pertence a uma família, a uma igreja ou a um país com algo enterrado no passado. Ezequiel promete que você nunca carregará essa culpa. Levítico pergunta se você vai dizer "nós" sobre ela mesmo assim, e trata essa palavrinha como o primeiro passo de volta para casa.

Sources